Como eu havia dito no post anterior, meu domingo e minha segunda passaram despercebidos, apesar da dor de cabeça e a vontade enorme de morrer que me foi pertinente durante todo o tempo. Com tanto tempo de repouso, no dia do 1º jogo do Brasil na Copa do Mundo, eu estaria bem o bastante para beber de novo. Não muito, mas iria comemorar a estréia do Brasil, com vitória ou derrota( venhamos e convenhamos, derrota pra Coréia do Norte?)

Mas, antes de tudo, tinha um pequeno problema. Exatamente no dia do jogo do Brasil, um pouco mais cedo( na verdade, estou sendo delicado. Foi as 8 horas da madrugada), eu teria prova de uma matéria que eu precisaria ir bem. Óbvio que não estudei, me preparando mais para beber do que para obter uma boa nota.

#fail
Depois de madrugar para fazer a prova, eu consegui chegar a tempo. E na hora, todos nós descobrimos que a prova era em dupla, o que me salvou foda. Depois de ter feito a prova, eu estava pronto para beber e, quem sabe, assistir o jogo. Vale ressaltar que, ainda no mesmo dia, as 18:30, eu teria aula. Ou seja, como bom aluno que sou, se eu estivesse vivo, eu estaria lá.

Como o restaurante universitário abre cedo, as 10:30 da manhã, eu resolvi almoçar logo, para não ter nenhum problema com barriga cheia enquanto estivesse bebendo.Logo depois disso, fui para casa, para deixar minhas coisas e me arrumar. Afinal, no jogo da seleção, eu deveria estar devidamente preparado como qualquer 'falso patriota' faz de 4 em 4 anos.
Cheguei em casa. Tomei banho. Troquei de roupa. Peguei dinheiro. Saí. Nessa ordem. Mas ainda era muito cedo para o jogo. Então, eu e o Léo( um dos moradores da nossa república) fomos pagar o boleto do condomínio, que venceria neste dia. Quando passamos numa papelaria do lado da corretora, vimos uma marretinha, daquelas que você utiliza pra apurrinhar com a vida dos seus amigos, por apenas R$ 3,50. Compramos 2, claro. Mas, vale lembrar que eu já tinha uma vuvuzela( que eu não utilizei nem por 2 minutos) e uma corneta. Eu estava parecendo uma criança cheia de brinquedos novos. O mínimo que eu esperava, depois desse investimento todo, era que o Brasil fosse campeão, invicto, sem tomar gol, com o Felipe Melo sendo considerado o melhor jogador da Copa( piadinha #fail).

Depois das compras feitas, fomos para a República Atécubanos, dos nossos amigos Marcel, Tácio e Felipe. Eu não iria ficar lá, mas o Léo sim, então eu fui até lá, porque teria que esperar um pouco também até a hora do jogo, pra poder ir pra casa de outro amigo meu, o Ivo.
Mais perto da hora do jogo, o Ivo me liga, dizendo que poderia ir para a casa dele logo. Pergunto se ele já havia comprado algumas coisas para bebermos. Ele responde:
- Cara, comprei nada demais não. Uns 3 fardos de long neck e uma vodca.

Meus olhos brilharam na hora. Sério.
Quando cheguei na casa do Ivo, vi que tinha mais gente, o que não seria novidade. Mas não sabia que seriam poucas pessoas a irem para lá. Enfim, o bom foi que sobrou mais bebida para nós. Nós digo eu e o Ivo, pois os outros 4 que estavam lá se diziam 'fracos para álcool', o que constatei logo após.
O jogo começa. Eu já estava bebendo junto com os outros, torcendo, pelo Brasil. Logo depois dos 10 minutos de jogo, o Ivo solta uma pérola:
- Elifa, vamos tomar uma injeção para cada gol do Brasil?
- Cara, e se o Brasil fizer 5?
- Rapaz, a gente vai ficar muito doido.
Eu não sou moleque, então eu aceitei na hora. Para quem não sabe o que é Injeção, aqui vai a receita: 3/4 do copo de vodca, quase completa o copo com refrigerante e, depois disso, uma tampa de sal de fruta. Mistura tudo, óbvio, e vira. Sim, você vira 3/4 de um copo de vodca e, o mais incrível, você não sente o gosto. Assim é muito fácil.
Como o primeiro tempo do tal jogo foi uma bosta, resolvemos tomar uma injeção por conta da casa. Primeiro ele tomou, depois eu. E, enquanto isso, continuamos tomando nossa cervejinha, sendo que somente nós dois estávamos tomando cerveja, pois os outros não gostavam. Com a vodca terminando, resolvemos, enquanto estava no intervalo, descer e comprar outra vodca.

Segundo tempo de jogo, todos ainda torcendo, alguns não muito lúcidos. Eu continuava bem, apesar de saber que, em breve, não estaria mais assim. Saiu o primeiro gol do Brasil, eu e o Ivo saímos correndo pelo corredor do prédio, gritando e tocando as cornetas. Tomamos mais uma injeção, cada um. Segundo gol do Brasil, mesmos rituais, incluindo a gritaria no corredor e as injeções.
[Ivo]- Gol da Coréia do Norte.
[Eu]- Ah, que que tem?
[Ivo]- Mais uma injeção?
[Eu]- Porque não!?
E lá fomos nós para a nossa 4ª injeção. Depois que acabou o jogo, as 17:30, estávamos vendo o que faríamos, pois, em Viçosa, todos iriam para a P.H.Rolfs depois do jogo.

E aí? O que fazer? Ir pra rua ou ir pra aula? Depois dizem por aí que eu não sou um aluno aplicado. Fui para a aula com a ondinha começando a bater. Mas só fui por saber que não seria o único bêbado presente na aula.
Quando entrei pela porta da sala, com a toca da blusa de frio socada no meio da cara, todos riram, até o professor. Entrei tropeçando e sentei lá no fundão com a cabeça apoiada na parede, pescando. Uma das minhas colegas de turma vira pra trás e pergunta:
- Você está bem?
- Não, estou bêbado pra caralho.
- Estou vendo.
Porra, se está vendo, pra que perguntou? Logo depois que entrei, junto com o Ivo e o Arthur, que também estava lá na casa bebendo, nós levantamos para sair e comer algo. Sempre perturbando a vida dos outros, saímos fazendo barulho, após o Ivo virar para o professor e falar:
- Aqui, continua passando a matéria aí no quadro que eu vou ali embaixo comer e jé volto.
Fui atrás, pois também estava com fome. Atravessamos a rua e fomos na lanchonete, onde vende uma refeição que vem com um estrogonofe gostoso, que todos nós pediram. Na verdade, eu não sei se é gostoso realmente, pois eu não cheguei a comer o meu. Dei 2 garfadas, empurrei o prato pro lado e não comi mais. Fui para o banheiro.
Depois voltei para a sala. Não durei muito, pois sentia que ia passar mal e desmaiar a qualquer momento, com um enjôo muito forte. Fui para o banheiro de novo. Mas ao invés de vomitar, eu sentei na borda do vaso e apoiei minha cabeça nos braços. Não aguentei muito essa posição, olhei para o lado e o que vi: um chão sujo, totalmente imundo olhando para mim, pedindo para deitar nele. Não hesitei. Agora, comparações entre eu, dormindo no banheiro do departamento, e a P.H.Rolfs, no mesmo momento.
Eu:

P.H.Rolfs:
Eu:

P.H.Rolfs:

Eu:

P.H.Rolfs:
Acho que perdi alguma coisa.
De repente, acordei assustado. Lembro-me que eu entrei no banheiro as 19:40, mais ou menos. Fui ver as horas no meu celular. 21:00.
Minha aula já tinha acabado havia 1 hora. Ou seja, ninguém mais da minha turma estaria ali. Então saí 'tranquilo' do banheiro, enrolado no meu casaco super limpo de fezes humanas, num frio da minhoca sem camisa. Ainda estava bêbado.
Fui diretamente para casa, sem nem pensar duas vezes se ia parar na P.H.Rolfs ou não. Depois eu vi que essa discussão comigo mesmo foi inútil, pois não havia mais nada nem ninguém na P.H.Rolfs, também.
Do departamento em que tenho aulas até minha casa são mais ou menos 30 minutos, andando. Calculem o tempo que levei para chegar em casa, no frio e bêbado. Acho que levei, mais ou menos, 50 minutos.
Cheguei em casa e nem pensei duas vezes. Cama. Sujo e fedido do jeito que estava. Depois percebi a merda que estava fazendo( na verdade, na merda que estava dormindo).
No outro dia, só rolaram perguntas tipo:
- Cara, onde tu se meteu?
- Você foi embora naquela hora?
- Você estava muito bêbado?
E, nisso, eu fiquei conhecido como o bêbado da turma, o maluco que dormiu no banheiro.
Aqui termina mais uma das aventuras alcoólatras desse bastardo que ainda tem o poder de escrever aqui. Em breve, mais histórias, pois o segundo período está por vir e, com ele, mais lendas.

P.s.: O animal que foi utilizado nas duas histórias aqui contadas ainda está vivo. Ele responde a estímulos feitos pelos agentes alcoólicos agora presentes, em abundância, no seu co[r]po.
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